quarta-feira, 13 de julho de 2011

Fusão Sadia/Perdigão aceita
Publicado em 14 de julho de 2011 
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Sadia, que quase chegou à falência após problemas durante a crise de 2008, foi salva pela Perdigão
FOTO: DIVULGAÇÃO
Brasília A fusão entre Sadia e Perdigão foi consagrada ontem pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), depois de uma negociação feita até os últimos minutos. A BRF Brasil Foods terá de vender suas 12 marcas menores a um só competidor de grande porte e suspender por até cinco anos a Perdigão em alguns mercados, como almôndegas, lasanhas e pizzas congeladas. O acordo negociado com o órgão antitruste fará evaporar R$ 2,97 bilhões da receita da empresa, o que significa dizer que um terço da BRF será eliminado.

Consumidor não perde
Em resumo, a Perdigão, que acabou salvando a Sadia da falência após uma operação desastrosa no mercado financeiro durante a crise externa de 2008, é que acabará sendo mutilada. A chegada de uma nova empresa no setor atenderá, na avaliação da maioria dos conselheiros, ao requisito considerado fundamental em toda a negociação: a rivalidade no setor. A expectativa do conselho é de que o consumidor não sairá perdendo.

Para o vice-presidente de assuntos corporativos da BRF, Wilson Mello, o acordo foi a solução negociada que a empresa sempre quis. "O remédio foi adequado para preservar a essência da fusão", comemorou, acrescentando que o acordo "pacifica" a relação entre o Cade e a companhia.

A possibilidade de um acordo era mais do que esperada nos últimos dias e, nos bastidores, chegou a ser criticada por advogados do setor da concorrência. Para eles, qualquer acerto com o Cade seria um bom negócio para a companhia. Tanto que as ações da BRF dispararam 9,77% ontem, a R$ 28,55, recuperando parte das perdas verificadas nos últimos dias. Além disso, advogados acreditam que o Cade abriu espaço para que novas fusões entre gigantes acabem batendo à porta do órgão nos próximos anos. Críticas ao acordo também vieram de ex-membros da autarquia. O principal ponto é como o Cade controlará o cumprimento do acordo tendo milhares de pontos de vendas. O órgão acredita que a concorrência será a primeira a avisar ao conselho de uma ruptura do acerto.

Produção
Em termos de produção, o negócio consiste na venda de unidades responsáveis por entregar ao mercado 730 mil toneladas de alimentos por ano.

"Estamos falando em 80% de escala de produção da Perdigão no mercado interno", argumentou o conselheiro Ricardo Ruiz, que esteve à frente das negociações. De acordo com ele, suspender a marca por determinados prazos e mercados foi a única saída encontrada em conjunto com a empresa para deixar a Sadia mais desprotegida e reduzir a barreira de entrada para novas empresas.

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